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ALTA FIDELIDADE - FONTE DE (IN)SATISFAÇÃO PERMANENTE?

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Tal como eu, aposto que muitos de vós já se questionaram em variadíssimas alturas a propósito da insatisfação trazida por um qualquer up grade  Question Exemplificando: se passamos a ouvir pormenores que não ouvíamos antes mas temos menos prazer na escuta, o que pensar desse up grade? E fará sentido a fuga em frente, porfiando em mais up grades, arriscando o aumento da insatisfação?  Suspect

Vou ensaiar a resposta com uma comparação. Se pegarmos num insecto e o observarmos com uma lente de aumento, provavelmente aquilo que nos vai surpreender e chocar, numa primeira observação, é a sua fealdade. Numa comparação tosca, eu diria que os primeiros passos na procura da alta fidelidade começam por nos levar a desequilíbrios sérios do lado do sistema, os quais, potenciados por algumas más gravações, nos levam a ficar um pouco em choque e questionar se não estávamos melhor no 1º momento. Continuando com a analogia com o insecto, se no entanto dispusermos de uma lente melhor (possibilitando uma ampliação ainda maior e mais nítida), vamos provavelmente encontrar-nos com o mistério e a beleza da vida, seja pela forma e padrões das asas, seja pela magnífica adaptação de forma e função de cada parte do corpo como sejam por exemplo os minúsculos pelos que permitem a capacidade de aderência a superfícies absolutamente lisas, etc. Também nos nossos sistemas, progredir no sentido certo pode de facto levar-nos ao coração da música, e dela usufruir na sua plenitude. Quando não dispomos desta lente poderosa, concentramo-nos no essencial que é a melodia. O problema é que alguns (muitos  Question ) dos que gostam de música (nós, os chamados audiófilos  Twisted Evil ), descobriram que esta não vive só da melodia. Alias, como noutras formas de arte, não faltam exemplos vanguardistas e interessantes de verdadeira desconstrução melódica. Que só fazem sentido quando ouvidos em alta fidelidade. Mas independentemente destes caminhos e destas experiências estéticas, chamemos-lhe assim, a música está também nos arranjos e na beleza sonora transmitida por cada um dos instrumentos envolvidos no processo musical. A propósito da beleza de cada instrumento, vem-me à recordação a ideia mil vezes repetida em diversos fóruns por alguém que gostava de sintetizar a ideia de alta fidelidade à questão do timbre. Hoje à distância sou até capaz de lhe dar razão. Talvez seja esse de facto o objectivo último e mais difícil da alta fidelidade. Porque para o timbre estar certo, muita coisa ou mesmo quase tudo tem de estar certo num sistema. A micro dinâmica, a extensão de frequências, o “decay”, etc. Mas onde continuo seriamente em desacordo com quem sempre defendeu esta ideia, é na forma de lá chegar. Não acredito que tal seja possível sem uma corrente eléctrica limpa –o que quer que isto signifique, sem atacar a questão das vibrações, sem tratar das interferências  tongue . E isto resolve-se a maior parte das vezes com… acessórios  cherry . Incluindo nesses acessórios os malfadados condutores do sinal, tantas vezes objecto da ironia trocista de inúmeros. A minha experiencia diz-me que os acessórios, não só influenciam o som como podem mesmo ser determinantes para o resultado final. Claro que o conceito de acessório é mutável. Os fusíveis por exemplo: serão um acessório enquanto os construtores de equipamentos activos não fizerem o seu trabalho de casa e procurarem o fusível adequado à electrónica que constroem, passando a ser um componente cuidadosamente seleccionado dada a sua importância para o resultado sonoro final.

Voltando à melodia, ela é sem dúvida o fio condutor da música que prontamente é captado pelo nosso espírito. Diria que tudo o resto (como a beleza sonora dos instrumentos que a produzem)  é mais subtil e talvez seja o resultado de uma abordagem mais racional, mas que a meu ver faz todo o sentido. Atrevo-me a dizer que há música na simples sonoridade de um instrumento  Exclamation Eu gosto de pegar na viola da minha filha e dedilhar as cordas e ouvir a sua tonalidade, ouvir o seu timbre, mesmo sem ser capaz de tocar qualquer acorde. O problema num sistema de reprodução doméstico é conseguir ter tudo de forma a que a percepção do todo musical (a linha melódica) seja enriquecida pela captação de cada uma das partes que o constituem e não o inverso. Por isso é natural que nos questionemos se não seremos mais felizes vendo a música de longe, sem o auxílio de qualquer lente, atendendo apenas à melodia. Mas eu acho que a nossa felicidade de audiófilos será maior se conseguirmos ouvir tudo o que a música contem. Eu acredito que é possível andar lá perto. E a satisfação é incomparável. Precisamos é de ter uma boa lente e focada.

O Homem quando quis ver mais longe e mais nítido o universo, teve de colocar um telescópio em orbita, fora da atmosfera clown

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