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ULTIMATE SESSIONS NO PORTO

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1 ULTIMATE SESSIONS NO PORTO em Qua Abr 01, 2015 4:46 pm

Bom, não pensem que eu agora vou a todas e que aqui virei fazer o relato dessas peregrinações audiófilas. Não sou nem tenho pretensões a ser repórter de áudio. Mas a esta tinha de ir. Ainda por cima quando o Porto fica a hora e pouco de caminho. Caminho todo ele em auto estrada, mas que provavelmente me vai valer uma multa. Quando olhei para o conta quilómetros, este indicava cerca de 130 km /h num local de máximo estabelecido de 100; Do lado exterior da auto estrada, viatura da polícia dissimulada em pleno pinhal. Caça a multa na sua versão mais vergonhosa.  Suspect Eu faço uma condução defensiva e adequo a velocidade ao volume de trafego, as condições atmosféricas e luminosidade. Por isso os meus limites são diferentes de dia e de noite, com chuva ou com sol, com trânsito ou sem ele. Num dia de sol, numa auto estrada sem trânsito, 100 km/h parece que se está parado. Mas num país onde a aplicação da tributação fiscal se faz de forma quase medieval, retirando a quota parte do fisco mesmo a quem fica sem nada ou a quem nada tem (como empresas de solidariedade social), já ninguém estranha esta perseguição do cidadão comum, esta caça impiedosa da mais ligeira infração, da mais leve ultrapassagem ao cada vez mais limitado perímetro da ilusória liberdade que nos é concedida. O sentimento de injustiça resulta da sensação obvia de que quem nos (des)governa tudo faz para constantemente extorquir mais um pouco à pequena fatia que nos entrega do nosso próprio rendimento. Mau demais. Desculpem o desabafo.

Falemos então de coisas alegres.  Cool Voltemos ao áudio e a este evento promovido no Porto pela Ultimate no passado fim de semana. Porque é que tinha de ir afinal? Porque a Ultimate apadrinhava neste evento os produtos Audiofidem, com o meu amigo Jorge Tavares e os seus cabos à cabeça. E com toda a propriedade poderia eu desde já dizer que, inseridos em sistemas de altíssimo nível, não comprometeram nem um pouco o desempenho. Mas essa forma de pensar, isto é, acreditar que desde que não enferme de um qualquer problema de construção, qualquer condutor é suficiente para assegurar o melhor dos equipamentos é conversa de audiocépticos. Eu digo de outra maneira, a excelência do resultado é a prova irrefutável da excelência individual dos componentes, incluindo naturalmente os condutores de sinal. Quer fossem de interligação, coluna ou alimentação, cantavam em português (Audiofidem) em ambos os sistemas em audição, excepção feita aos que faziam chegar electricidade às bestas VTL Siegfried II. Mas nem só de cabos vive o homem  Laughing  Laughing Neste caso vive também de bases antivibração e dos pés de apoio VCS desenvolvidos por outro amigo, o António Pedro, e dos quais já falei no tópico do meu sistema. E pronto, está dito.

Falando agora dos componentes activos…
Nas 2 salas em demonstração eram visíveis 4 sistemas, embora só tenha ouvido 2 deles, precisamente as atrações principais. Embora tenha ficado, confesso, com a pulga atrás da orelha relativamente aos suplentes. E que suplentes: um deles era constituído por eletrónica AVM e colunas TAD, nada menos que as novas monitoras da marca; o outro exibia umas Living Voice com crossovers externos (que muito curioso me deixam), acolitadas por electrónica Triode. Falando então do que ouvi, vou começar por falar do sistema constituído por Streamer EMM Labs e DAC Aurender no que à fonte de sinal diz respeito, monoblocos VTL Siegfried II na amplificação, sendo as colunas umas Marten Coltrane. E digo-vos desde já que, juntamente com o sistema exibido no último audioshow, este foi um dos melhores sons que ate hoje me foi dado ouvir. Comum a ambos: a amplificação. Se até sábado passado me perguntassem pela minha preferência entre válvulas e transístores, eu teria respondido transístores. Porque já ouvi projectos a válvulas para esquecer? Provavelmente. Porque já ouvi projectos a transístores que não esqueço (como é o caso da Constellation Audio)? Obviamente. Neste momento, depois desta experiencia, à questão válvulas ou transístores só tenho uma resposta: VTL Siegfried II.  cheers Se o conforto da verosimilhança timbrica tem de ser repartido com os outros componentes, nomeadamente as fabulosas Marten, já a capacidade de resolução e dinâmica são atributos muito claros da amplificação. E que resolução! E que dinâmica! Que poder! Há tempos li num fórum brasileiro alguém que dizia que num sistema bem afinado, os crescendos nunca assustam. Da mesma forma que não nos assustamos quando ouvimos uma orquestra ao vivo. E neste sistema é precisamente isso que (não) acontece. Os instrumentos entram com rapidez mas com uma naturalidade que surpreende mas não assusta. Embora numa escala menor, voltei a experimentar aquela sensação já vivida no audioshow com as outras Marten de uma tão grande fluidez na apresentação que tudo faz parecer simples e fácil. A reserva de potência desta amplificação parece ser inesgotável, o que a torna única para ouvir música sinfónica. Mesmo quando em presença de um volume e palco sonoros já generosos, ficamos absolutamente boquiabertos com o nível de aceleração tranquila produzida por estes amplificadores, capazes que são de simular de forma muito credível a volumetria de uma orquestra completa dentro da sala. No primeiro contacto com tamanha escala, o meu pensamento foi “p&#! que pariu” e sorri de orelha a orelha.  cyclops Mas acho que não cheguei a acabar a frase porque afinal a orquestra ainda não estava completa e a entrada de mais um naipe de contrabaixos e da percussão deixou-me… sério. Muito sério. Som e música fundiam-se completamente. De forma indissociável e indiscernível. Bravo! Mas tal sucedia com musica sinfónica como com outro género musical qualquer. Eu, que em tempos idos ouvi até à exaustão Bruce Springsteen, por umas razões (já não causa hoje o mesmo impacto) ou por outras (qualidade das gravações), tenho remetido o “boss” para a prateleira. Mas que maravilha foi ouvi-lo novamente com a sua voz granulada neste sistema. De tal forma que me deu vontade de voltar a escutar os álbuns que cá por casa jaziam esquecidos, quiçá porque a sua reprodução está longe do que foi possível experimentar com este sistema.
E depois as colunas. Tal como som e música são duas faces da mesma moeda, as Marten parecem ser a outra face dos VTL. Nesta audição bem mais intimista do que a proporcionada no audioshow (a sala sendo grande estava longe das dimensões da sala do Pestana Palace), deu para confirmar a excelência do desempenho sem compromisso atingido pela marca, o qual certamente está estreitamente relacionado com os altifalantes usados. Varias marcas têm experimentado os mais diversos materiais na perseguição de uma maior rigidez e leveza dos cones, na procura muitas vezes de uma abertura que acaba por soar artificial. Entre outras, a Focal tem seguido uma linha (o Question) própria e a monitor Audio (entre outras) é sobejamente conhecida pelos seus projectos com uso de metal. No passado audioshow ouvi pela primeira vez as Raidho com os seus cones cerâmicos e o som não me convenceu totalmente. Neste material, só a Thiel me deixou boa recordação. Ainda assim, eu continuava a preferir o “cartão” (e suas variantes ou compósitos). Mas neste segundo contacto com umas Marten, confirmei a naturalidade que os altifalantes de cerâmica? usados emprestam a reprodução sonora. Conferem ao som uma abertura que nunca soa artificial, uma claridade que nunca ofusca. Os timbres são por isso dos mais naturais que já me foi dado ouvir. Que não haja duvidas, a Marten é claramente uma marca que se distingue entre as melhores. De tal forma que nem me atrevo a fazer juízos sobre o preço porque me parecem jogar num campeonato diferente da maior parte da concorrência. Confesso que com estes 2 sistemas VTL / Marten (no audishow as Marten eram as de topo) redefini aquilo que procuro na alta fidelidade. Este preenchimento, esta densidade do som, esta musicalidade, vai muito para além do impacto visceral, da dinâmica ou do spl que eram os meus faróis em matéria de som de elevado nível e que já noutra ocasião classifiquei de fogo de artifício. A naturalidade da apresentação destes sistemas VTL / Marten é absolutamente desarmante. Despojado que me sinto da atração pelo fogo de artifício e não podendo, nem de perto nem de longe, chegar a um sistema deste preço, o meu caminho no áudio vai fazer alguma inflexão? Em patamares muito mais acessíveis a nível de preço, onde poderei eu encontrar(-me) com esta harmonia? Nos painéis electrostáticos? Vou estar atento.

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E depois havia também o sistema Gryphon (com leitor de CD´s TAD). Ao preço que custam, e do que conheço naturalmente, as colunas Pantheon exibem uma das melhores relações qualidade / preço do mercado. Sinceramente, até ao seu custo, não me lembro de nada que fique sequer próximo.  Constou-me que ainda só tinham uma semana, pelo que ainda não estavam completamente rodadas. Mas as suas qualidades são óbvias. Um poder avassalador, desde a cave até ao sótão. Apenas o andar do meio não estava ainda totalmente mobilado, soando assim um pouco frio / recuado. Com amplificação da mesma marca, deu para perceber que a filosofia da Gryphon se pauta por grande coerência sonora, enorme extensão de frequências, capacidade dinâmica invulgar, rigor tímbrico e similitude de escala, que são virtudes que inequivocamente  a catapultam para um patamar de irrefutável qualidade.
Em resumo, foram 2 sistemas de puro high end que se puderam ouvir, e que provaram indubitavelmente (a quem tivesse duvidas) que a alta fidelidade existe e que a evolução dos equipamentos é óbvia. A sua audição faria particularmente bem a muitos audiocépticos, quase sempre também grandes detractores do high end, seja pelo preço seja mesmo pela performance. Mas como a memória auditiva pode funcionar de forma inversamente proporcional à presunção, a quem achar que tem em casa algo vintage que rivaliza com um sistema destes, eu recomendaria que combinassem com a Ultimate um mano a mano com um destes conjuntos. Não falei com ninguém mas tenho a certeza que a Ultimate não teria receio.

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E porque já deixei lá atrás exposta a minha declaração de interesses (amizade), termino como comecei, com a referência ao Jorge Tavares e seus produtos. O Jorge não começou a construir cabos no intuito de vender, com a intenção de chegar ao mercado profissional. Não. O Jorge tem, tal como eu, procurado actuar ao nível da condução do sinal, procurando as melhores soluções para o preservar ao longo do seu percurso até às colunas. Mas com mais paciência que eu, melhores meios ao dispor e superior habilidade manual, e porque não dizê-lo, mais saber, conseguiu chegar a um nível de qualidade que é certamente merecedor de divulgação e destaque, consequentemente capaz de encontrar o seu espaço num meio que todos sabemos estar já bastante preenchido. Parabéns ao Jorge por esta entrada no meio profissional e parabéns à Ultimate por apadrinhar mais um projecto português.

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