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O QUE ANDO A OUVIR [i]e que vos possa interessar[/i]

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Que alguém ande a ouvir Beethoven ou Quim Barreiros é-me absolutamente igual ao litro. monkey Por isso tenho alguma dificuldade em perceber a interpretação literal que a maior parte das pessoas faz do título deste tipo de tópico. Numa comunidade audiófila, onde creio bem andamos todos sedentos de novas descobertas musicais, de novas sonoridades ou até simplesmente daquela gravação que vai evidenciar o melhor dos nossos sistemas, faz-me uma grande confusão, confesso, que a maior parte dos foristas postem os discos que andam a ouvir sem o mais breve dos comentários. É aquilo que considero o exemplo de uma pobreza (intelectual) franciscana. Não é o que tem acontecido neste forum felizmente. O Music, muito bem, tem acrescentado uns breves comentários aos albuns que tem feito realce. De tal sorte que até me levou a comprar a versão remasterizada do "Oxygene" do Jean Michel Jarre. Qual seria o interesse se o Music tivesse vindo dizer apenas que andava a ouvir o “Oxigene” do Jean Michel Jarre? O caso muda completamente de figura quando ele diz que está a ouvir a nova versão remasterizada e acrescenta o que nela encontrou de novo. Já aconteceu mais vezes e já descobri uma ou outra pérola graças à referencia que alguém fez e me levou a partir à descoberta. (por acaso ninguem é capaz de me dizer como está a versão remasterizada do "The Final Cut" dos Pink Floyd?)Agora olhar para um tópico que por norma noutros foruns tem o maior e mais regular número de participações e ver apenas nomes de álbuns, faz-me sentir como quando vou à Fnac e vejo tanto disco que não conheço: qual ou quais escondem as obras que me motivam na musica?
Feito o desabafo deixem-me dar-vos testemunho de um álbum fantástico que descobri recentemente por sugestão de um amigo: Harry Connick Jr, Chanson du Vieux Carré.
http://www.amazon.com/Chanson-Du-Vieux-Carre/dp/B003N1BHKU/ref=sr_1_18?ie=UTF8&qid=1290810330&sr=8-18
Absolutamente fabuloso. Mesmo quem não goste do estilo certamente não ficará indiferente à magnífica gravação deste álbum. Um deleite para os sentidos.
O álbum foi gravado em 2003, masterizado em 2006 e a edição que tenho na mão saiu em 2007. Por isso, embora na literatura nada diga a esse respeito, acredito que estejamos em presença de um produto, todo ele, concebido com tecnologia digital bounce .
Sinceramente, não me interessa quanto custou o v/ sistema, porque se outra agressividade sentirem no som que não seja a genuína dos instrumentos de sopro, se os ataques dos metais não forem absolutamente instantâneos e viscerais, se em algum momento sentirem que o som não cresce ficando a sensação de compressão, então alguma coisa ainda está francamente mal no v/ sistema. Muitas vezes encontramos boas gravações mas ficamos a pensar se este ou aquele defeito que ainda encontramos será do álbum ou do sistema. Com este album não tenham duvidas: a responsabilidade do que não estiver bem no som… é do sistema geek

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Desculpem não trazer propriamente uma novidade. No Mas para mim acaba por ser. E no entanto já tenho este álbum para aí há 2, 3 anos ? Já vos aconteceu comprar 2 ou 3 albuns de um artista e, independentemente da qualidade, desistir porque a partir de certa altura as musicas já não parecem trazer nada de novo?! Suspect
Provavelmente sim. Pois a mim aconteceu-me com a Diana Krall. Vai daí que a 5ª aquisição ficou um pouco esquecida na prateleira porque nada de novo me pareceu aportar num 1º contacto. E só muito recentemente me chamou a atenção, curiosamente quando tocava baixinho a servir de musica de fundo enquanto trabalhava.
E, helas, foi o som que me primeiro captou a atenção. Ao 4º tema Almost Blue sinto a sala inundar-se do toque suave e etéreo nos pratos da bateria. Parei de trabalhar e fui ouvir. Claro que não faltam os detractores das gravações desta cantora, mas eu, do que conheço, considero que grava muito bem. No caso do presente álbum, o sistema pode brilhar com temas como Temptation ou Black Crow, mas uma audição mais atenta deixou-me rendido à beleza melódica de temas compostos com o marido Elvis Costello, tais como Narrow Daylight, I´m coming Through ou mesmo The Girl in the Other Room, este ultimo a dar o título ao álbum. De uma subtileza que passou despercebida durante todo este tempo, devido a um certo cansaço da cantora. E agora tem rodado ininterruptamente. Se não conhecem, recomendo vivamente.
bounce

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"Com que Voz" soa Amália remasterizada ? Rolling Eyes

Engraçado: já era costume eu dizer aos amigos audiófilos que partilham este gosto pelo Fado, que as novas versões de fados imortalizados por Amália faziam (fazem) todo o sentido, quanto mais não seja pela qualidade das actuais gravações. Mas obviamente que não só. Vozes como Mariza, Yolanda Soares, Cristina Nóbrega ou Amélia Franco (não conhecem pois não? Então procurem se fazem favor), têm um lugar por direito próprio e brindam-nos com novas versões e arranjos fabulosos, que os mais puristas do fado podem rejeitar mas que eu, nalguns casos, não hesito em considerar absolutamente geniais. E também costumava deixar no ar a pergunta de como seria ter Amália no apogeu das suas qualidades vocais a cantar e a gravar hoje em dia Question bounce
Pois não sendo bem o mesmo, a verdade é que a nova edição remasterizada de Amália “Com que Voz”, tornou-a talvez mais presente que nunca. Espectacular trabalho de “restauro”. As guitarras então fazem inveja a muitas produções actuais. Fabulosas. Ouvindo apenas as guitarras dataria a gravação como perfeitamente actual. Quanto á voz de Amália, obviamente que nas notas mais altas se sente alguma distorção, mas ainda assim, longe, muito longe do som de grafonola de muitos dos seus discos. A fazer notar perfeitamente o seu timbre, a exibir com nitidez as suas qualidades vocais, a deixar transparecer nesta voz reaparecida toda a emoção que colocava no canto.
Com que Voz” remasterizado é um disco obrigatório para audiófilos que gostem de Fado e de Amália.

Abraço

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Neste momento ando a ouvir, quase ininterruptamente, Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti.
E isto apesar de, paradoxalmente, não me emocionar particularmente com o álbum. É um álbum que me parece uma deriva de quem já nada tem a provar e trilha novos caminhos em plena liberdade conceptual. São interpretações que, na minha opinião, assentam mais no domínio de uma técnica irrepreensível do que na expressão pelo canto das emoções que se soltam do fundo da alma de quem canta para se alojarem no fundo da alma de quem ouve.
Diria que são versões produzidas pelo e para o intelecto. Falta-lhes, a meu ver, a tal “alma”. E no entanto não deixo de ouvir o disco. Porquê? Pela maravilha que é ouvir a voz de Carlos do Carmo. Talvez pelo destaque e projecção que adquire devido ao acompanhamento singelo do piano (a espaços também um violoncelo) e sem mais instrumentos a “atrapalhar”, A VOZ surge quase fantasmagórica. Esta voz prende-nos a atenção ao ponto de, sem darmos por isso, o álbum ter chegado ao fim. E dou por mim a repetir a dose. Só com esta voz seriam possíveis estas interpretações, das quais apesar de tudo consigo salientar “Cantigas de Maio” de Zeca Afonso. Só um sistema de alta fidelidade pode fazer alguma justiça a esta voz. E são discos como este que dão ainda mais sentido à reprodução com qualidade. Ouvidas num rádio de pilhas estas canções/versões seriam, a meu ver, uma seca. Só em alta fidelidade desfrutamos da voz e da técnica de um dos maiores cantores portugueses, que talvez não tenha ainda tido o reconhecimento merecido. Talvez porque no fado, o estilo onde se destacou, a sombra da Amália tapou um pouco o brilho de outras estrelas. Mas Carlos do Carmo tem um brilho próprio que o coloca no topo das melhores vozes que conheço.
Escusado será falar da qualidade da gravação. Apenas de se notarem diferenças na projecção/nível da voz do cantor de tema para tema, sendo que por exemplo no tema 9 - “Quand on n´a que l´amour” surge nitidamente mais recuada/mais baixo, em contraste nítido com o tema imediatamente anterior onde surge talvez mais saliente que nos demais. Mas tudo bem.
Foi uma bem vinda prenda Natal.
cheers

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Talvez a gravação mais “crua” que conheço: Dizzie Gillespie – digital at Montreux 1980
http://www.amazon.com/Digital-Montreux-1980-Dizzy-Gillespie/dp/B000000Z23

Verdade que não sou um verdadeiro conhecedor de jazz. Aliás, são algumas preciosas sugestões de um amigo que estão a levar à descoberta e ao gosto pelo género.
Mas de entre todas não posso deixar de vos sugerir este magnifico álbum, quer em termos musicais quer em termos de som.
Quem for tendo a paciência de me ler aqui e acoli talvez já tenha percebido que estou longe de ser um crítico das gravações actuais, bem pelo contrário. Com excepção da pop que não consumo, não tenho que dizer do que vou comprando. Mas confesso-vos a minha perplexidade e hesitação entre a ”perfeição”de algumas produções como por exemplo “Jacques Loussier - The 50th anniversary recording” e gravações como esta de que agora vos falo com 3 décadas.
Absolutamente brutal.
Os conhecedores não deixarão de identificar a marca da viola eléctrica pelo timbre, tão definido que ele é. A bateria, sem nivelamento ao nível da masterização, soa concreta, verdadeira, com os diferentes tambores a soarem diferente e a perceber-se claramente o som a pele esticada percutida, e, coisa muito muito rara, a perceber-se a cada impacto a força que o baterista imprimiu. Por fim o trompete de Dizzie Gillespie: sendo um instrumento metálico soa no entanto com corpo, com textura, quase se sentindo o ar que lhe é insuflado pelas avassaladoras variações dinâmicas e tonais.
Oiçam e se quiserem…dêem algum feed back para não me sentir a falar sozinho Wink Laughing


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Spock escreveu:
Talvez a gravação mais “crua” que conheço: Dizzie Gillespie – digital at Montreux 1980
http://www.amazon.com/Digital-Montreux-1980-Dizzy-Gillespie/dp/B000000Z23


Comprem a versao remasterizada, a versão remasterizada!!

Bendita era digital pirat

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Yazoo
Upstairs at eric´s (remastered)


O que se vive entre os 15 e os 20 anos marca-nos de forma indelével.
Obviamente também na musica que se ouve. Hoje, quase nenhum disco me causa o mesmo tipo de emoção experimentada na juventude com muitos dos discos que ainda hoje, mais do que uma referência, ajudaram a construir o meu gosto musical.

Não se admirem pois os que possam ir á procura deste disco, se não o sentirem com a mesma intensidade com que vos vou falar dele.
Absolutamente fantástico! Um álbum que marca certamente a historia da musica, pela nova estética sonora que introduziu. Pelo menos para mim, à data, foi uma refrescante novidade. Uma sonoridade “futurista” com uso de sintetizadores, bateria electrónica e muito, muito efeito vocal. Conversas, frases, palavras soltas estão sempre presentes, mas não apenas como pano de fundo. Fazem parte efectiva da composição e foram, na minha opinião muito bem exploradas. O álbum e o grupo ficou decididamente conhecido por temas como "Don´t go" e "Only You", mas é em temas como o fabuloso “Midnight”, o espectaculart “In my room” ou o indescritível “Winter Kills” a revelar todos os dotes vocais da Alison Moyet, que eu me revejo.

Fecho os olhos, e oiço, e tento segurar a memória da emoção da altura.
O tema termina, os olhos abrem-se e já lá vão… 25 anos ??!!
Não, não é revivalismo bacoco dos anos 80/90. Eu passei por lá…

Quanto à gravação / remasterização, absolutamente nada a apontar. Fossem todas assim e desfazia-me de vez dos meus LP´s todos que ando a substituir aos poucos. Mas algumas versões em CD ficaram muito longe. Ainda há dias sofri uma desilusão com o Business as usual dos Men at work.

Só uma coisa não correu bem nesta compra por encomenda: cuidado com os preços Fnac. Não estava preparado para 19,90 € por um álbum tão… antigo pirat

ah, ou outro album "You and me both" não fica atrás, bem pelo contrario. Mas como não posso ouvir o LP, falo-vos dele quando encomendar o CD Cool


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Desta vez vou quebrar as minhas próprias regras para vos falar de um álbum que não é propriamente uma preciosidade audiófila pirat sob o ponto de vista da gravação, uma vez que apresenta sinais evidentes de compressão.
Mas que não resisto a falar-vos dele por causa das musicas mas sobretudo por causa…da voz. Que voz! Uma voz que é a musica em si. Aurea.
Sim, gosto. Muito. Delicada e sensual a maior parte das vezes, poderosa e arrebatadora quando é preciso. Tudo é perfeito nesta voz. A afinação, a dicção, o fantástico controle da respiração, os falsetes perfeitos… Mas é a naturalidade com que canta, as nuances, as mudanças de tom e até de timbre… Ao contrario de tantas outras boas vozes, não faz uso de exibicionismos técnicos desnecessários e acessórios. A música flui com um à vontade desarmante. E flui boa musica, num conjunto muito bom de belos temas como “The Main Things About Me”, “Busy (for me)”, “ Okay, Alright”, “Tower of Strenght” até ao absolutamente fantástico “The Witch Song”, canção que poderia com todo o mérito ter feito parte da extraordinária banda sonora do “Estranho mundo de Jack” (obra indispensável de Tim Burton) e onde todas as qualidades vocais da cantora ficam bem expressas. Além disso, felizmente, este tema apresenta uma maior dinâmica que os demais o que permite dele desfrutar de forma ainda mais agradável.
Sinceramente digo-vos: só consigo comparar esta voz às melhores vozes que conheço. A última voz que me deixou francamente impressionado pelo talento nato expresso na forma fácil como a musica flui foi Katie Melua. E só consigo comparar Aurea às melhores. Ao ouvi-la há outra voz do rock and roll que me vem à memória e que alterna um enorme poder e controle com a suavidade de autêntica “voz de cama”: Pat Benatar.
Poderia continuar os elogios porque de facto acho que estamos a falar de talento puro!

Como já disse, a gravação/prensagem? não é de qualidade audiófila, mas dêem-me um sistema que não acrescente compressão e a coisa ouve-se.

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Jacques Loussier, Plays Bach Encore

Atrevo-me a dizer que Jacques Loussier é indispensável a qualquer audiófilo que se preze. tongue Excelentes arranjos à volta da fantástica musica de Bach, uns mais fieis à linha melódica daquele compositor, outros com derivações mais profundas, expondo uma maior liberdade interpretativa digamos assim. Nestes últimos, Bach só aqui e ali nos é lembrado, só num ou outro acorde percebemos que a sua musica foi o mote para a magia (re)interpretativa de Jacques Loussier. É claramente o caso do 1º CD deste Encore (duplo). Dos outros que eu conheço, recomendaria sem hesitações para quem quiser começar a aventurar-se, o álbum The 50th Anniversary Recording. Neste álbum podemos ler na capa uma frase do próprio que diz: “This is the best playing of my life” que eu penso entender à luz precisamente do maior equilíbrio conseguido entre a originalidade dos arranjos de Jacques Loussier e o respeito pela melodia de Bach que aqui é quase sempre perfeitamente perceptível. Terá ele andado uma vida inteira à procura deste equilíbrio? Descubram-no urgentemente e formem a v/ opinião.
Mas não é este o álbum que ando a ouvir mas sim o Encore. Um álbum duplo, onde como disse, no 1º CD temos a magia da musica de Bach envolta nos fantásticos arranjos deste estupendo pianista, enquanto no disco nº 2 somos presenteados com composições originais de Jacques Loussier. E meus amigos, é sobretudo destas que vos quero falar. Digo-vos que elas personificam muito do que procuro em música: a melodia, a harmonia, o ritmo, a alegria, a surpresa, a genialidade estão presentes de uma forma por diversas vezes arrebatadora. A começar pelo 1º momento do concerto para violino e percussão (Prague) que são 9.26 minutos de nos deixar sem fôlego. Depois a beleza do líndissimo 3º momento (Buenos Aires, tango) que coloco ao nível do melhor que grandes compositores clássicos nos deixaram. Por último saliento, já no concerto para trompete, o seu Finale que nos deixa absolutamente saciados. Descubram e vejam lá se não tenho razão!

Quanto às gravações, eu não diria tratar-se de álbuns obrigatórios para audiófilos não fora a excelente qualidade das mesmas. Do melhor! Felizmente!
cheers

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É uma visão? É Um anjo?

Não, é a Katie Melua. I love you I love you
Linda de morrer, prenhe de talento. Meu Deus, estava capaz de me ajoelhar diante desta mulher e pedir-lhe para cantar para mim.

Já data de 2010 mas só o comprei agora: “The House”. Não poucas vezes me acontece pensar que tenho já que chegue de um determinado grupo musical ou cantor(a). Que erro. E agora, enquanto desfruto de forma ininterrupta deste magnífico disco, interrogo-me quantas outras maravilhas continuarão a nascer na voz deste anjo.
Neste álbum não consigo sintetizar as minhas escolhas, pois o álbum é (praticamente) um deleite do princípio ao fim. Começa com o lindíssimo “I´d Love To kill You”, passando logo de seguida para ”The Flood”, um tema que nos deixa presos na ansiedade da chegada do seu refrão mágico. Uma pausa para alguma vulgaridade em “A Happy Place” para logo de seguida surgir a loucura em “A Moment Of Madness” um tema a fazer lembrar “Lonely Carousel”, esse tema inenarrável do nosso Rodrigo Leão, interpretado pela voz igualmente magica de Beth Gibbons. Voltando a The House, tema a tema, dir-vos-ei que adoro Red Ballons, pela beleza da melodia mas não menos pelo encanto do canto sussurrante desta sereia. Tiny Alliens ouve-se bem mas nada mais que isso. Já “No Fear Of Heigts” volta a trazer-nos todo o perfume de uma bela melodia, servida nesta voz fantasmagórica. E se logo após, ao ouvirem os 1ºs acordes de “The One I Love Is Gone” não sentirem um arrepio na espinha, vocês não gostam de musica tongue Pelo menos como eu! Quase que apostava que quem não for capaz de o sentir, provavelmente fará parte do grupo dos cépticos que nunca conseguem ouvir diferenças nenhumas nos seus sistemas de áudio. pirat Laughing cherry Mais ritmo mas muito menos emoção em “Plague Of Love”, “God on Drums, Devil on The Bass” e “Twisted”. E este trio de canções é, para mim, o momento menos bom do álbum. Mas tinha de ser assim. Sabem porquê? Para preparar e maximizar o reencontro com a beleza em estado puro no tema que dá título ao album: “The House”.

Quanto á gravação, até apetece dizer: não se preocupem! O que importa é a música! Mas felizmente a gravação faz juz à beleza deste disco pois como poderia alguém desfrutar dele em pleno sem um bom som? É por isso que a alta fidelidade faz sentido. Se todos gostássemos verdadeiramente de musica, não dispensaríamos a alta fidelidade nem descansaríamos enquanto não chegássemos ao pote no fim do arco íris. E em vez de andar a dizer asneiras na net, andaríamos à procura. bom drunken
Oiçam, oiçam! cheers

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Não falta quem diga que os audiofilos sao uma raça estranha. Susto
Tao estranha que na ansia de ouvirem o melhor que o seu sistema tem para dar, acabam muitas vezes a escutarem plins e mais plins e apenas plins. Suspect
Eu por mim prefiro pensar que esta busca da melhor sonoridade nos leva muitas vezes ao encontro da melhor musica. tongue
Como este album que agora vos sugiro:

Chick Corea/Miroslav Vitous/ Roy Haynes
Trio Music, Live in Europe

http://www.amazon.com/ECM-Touchstones-Trio-Music-Europe/dp/B001BOX2WW/ref=sr_1_33?s=music&ie=UTF8&qid=1320364194&sr=1-33

Não sendo propriamente recente, só agora o descobri por sugestão de um amigo audiofilo claro. Bom, recente até é se pensarmos que ainda ando a descobrir tanta coisa centenaria (musica classica).
A editora é a ECM e penso que isso diz tudo da qualidade da gravação. Até o sopro da fita analogica (gravação AAD) se ouve.
Quanto à musica...oiçam os plins do tema 4, Prelude nº 2, nomeadamente a partir do 6º minuto e... mais não digo. Descubram por vocês o que é experimentar em simultaneo os limites da harmonia e da capacidade de um instrumento, no caso o piano. Faz a maior parte das composições ditas classicas, de compositores ditos geniais, parecerem brincadeiras de aprendizes.
Claro que se não querem ser rotulados de audiofilos então não oiçam. Mas se ouvirem, já agora oiçam tudo. I love you

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Ser original não está facil. É só ouvir e ver com atenção as inumeras tentativas falhadas. Talvez por isso, na musica portuguesa, nos últimos tempos, proliferaram as versoes e reinterpretações de temas que já fazem parte da nossa cultura, do nosso patrimonio imaterial para usar o chavão da moda Cool , e que, são, do ponto de vista das vendas, valores seguros. Mas tambem aí, nem todas conseguiram acrescentar o que quer fosse, e nalguns casos, só estragaram. Estou a lembrar-me dos Amor Electro. Tirando o 1º tema, o grande sucesso que os lançou, o resto do album vive de versoes que me deixam tongue ...
Mas falemos do que ando a ouvir e não do que não ando Wink :

ANAQUIM – As vidas dos outros

http://www.myspace.com/anaquim.info

Não se deixem iludir com o principio e o fim brincalhão, ao jeito dos “Oquestrada”. O album tem valor. Na maior parte das musicas temos uma metrica esquisita, com alguns versos extensos encaixados à força na musica, mas cujo conteudo, cuja mensagem, explica a necessidade de não dizer menos. Sem duvida nenhuma uma produção deveras interessante e original, pese embora em tantas musicas se percebam as influencias subjacentes, que no entanto não lhe tiram nem mérito nem originalidade. Destaco:
- 6 - Chama-me vida
- 8 - O meu coração (uma musica aparentemente banal mas que aprendi a gostar por fases. 1º foi a excelente voz da Ana Bacalhau – dos Deolinda - a chamar-me a atenção Esta é mais uma voz portuguesa que é muito mais de que uma boa voz, é musica da primeira à ultima palavra cantada. Depois foi a magia da letra e as rimas muito bem conseguidas, que surpreendem por serem engraçadas e inesperadas. Uma letra que classificaria como sendo muito ao jeito do Carlos Paião.)
- 9 -Balalaikas (interessante instrumental. Aí está o nome a remeter directamente para a influencia)
E depois é só dar gaz nos espectaculares:
- 11 - Monstros
- 12 - Saltimbanco
- 13 - Vampiros
- 14 - Metamorfose

Por fim destaco, qual cereja em cima do bolo, mais uma versão fantástica do intemporal “A morte sai à Rua” do Zeca Afonso. Excelente versão, pese embora a minha favorita continue a ser dos Frei Fado d´El Rei com aquele começo “ondulante” de sintetizador a remeter-nos para a atmosfera sombria e enigmatica propria do tema, numa especie de suspense sonoro delicioso. Mas a inteligencia das versões/reinterpretações, quaisquer que elas sejam, consiste em acrescentar algo de novo/diferente, mantendo imaculada a alma da canção. Conseguido Exclamation
Por ultimo: João Santiago é o nome do baterista. A alegria do disco. Se começarem a ouvir e não perceberem imediatamente porquê, estou certo que ao ouvirem o final de “Metamorfose” não deixarão de concordar comigo. Depois partam à descoberta mais atenta nos demais temas desse discreto mas fantástico trabalho de bateria.
Ou seja: uma lufada de ar fresco na musica portuguesa com uma gravação espectacular a deixar passar toda a paleta de cores dos diversos instrumentos utilizados, e como tal a merecer tambem uma audição do audiofilo mais empedernido.

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Nao esperem que vos fale apenas de coisas recentes. Não ando à procura do novo. Busco a qualidade. Tomara eu que, mesmo tardiamente (mais vale tarde que nunca) me chegassem ao conhecimento todas as perolas das quais ao lado certamente passei e continuo a passar, até porque me recuso a ceder à tentação de continuamente chafurdar errante no excesso de informação de jornais, revistas, televisão e sobretudo internet. Evil or Very Mad Não adianta ingerir mais comida do que posso digerir.
Não estranhem pois que vos possa falar de estilos musicais completamente diferentes. Mantendo a comparação com a comida, não suporto comer sempre o mesmo. E no entanto, pese embora este introito, vou voltar a falar-vos de musica portuguesa. Acontece porque a musica que aqui coloco não é de maneira nenhuma (nem de perto) toda a musica que ouço. O que motiva as escolhas para este topico é o impacto que me causa um ou outro disco e que me impele a dele vos dar testemunho. Tambem ouço alguma da musica que todos ouvem, mas essa por ser mais facil de descobrir, já voces conhecem. Podia dizer-vos que pouco a pouco lá vou adquirindo em CD os albuns que ainda tenho em vinil e há seculos que não ouço por não ter gira discos. E que por isso mesmo redescobri recentemente o prazer de ouvir “The Pros and Cons of Hitch Hiking” de Roger Waters, ou mesmo o “It´s My Life” dos Talk Talk. Sim, às vezes tenho de voltar à tradicional feijoada... Eh pa, estou a comparar Rogers Waters a feijoada ? Mas qual é a duvida sobre a qualidade de uma boa feijoada Question Smile
Voltando á musica, o que ando a ouvir com enorme prazer é isto: João e a Sombra

http://pesquisa.fnac.pt/JOAO-E-A-SOMBRA/ia74505

Sombrio, soturno, pesado, melancolico, profundo, melodioso... LINDO Exclamation
Vinicius de Moraes dizia que até “pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza” e que “ todo o grande amor so é bem grande se for triste”, pelo que me questiono sobre esta aparentemente estranha contradição da beleza das coisas tristes. Uma beleza que nos atrai para um abismo de sensações onde pontuam a mágoa, a saudade, a dor. Mas que atrai. drunken
João Tempera escreve todas as musicas e assina todas as letras dos 7 temas deste magnifico album, ainda que duas delas juntamente com Joaquim Tempera. Letras que são verdadeiros poemas. Poemas que denotam um olhar atento e profundo do mundo, poemas que falam de Deus e dos Homens, poemas que espelham desencanto, desilusao, e, aparentemente, uma baixa auto estima. Pelo menos acreditando que há algo de “biografico” nas palavras, admitindo que muito do que os poetas vertem na escrita é o resultado de uma inspiração obtida em ligação directa às experiencias pessoais.
Oiçam o 1º tema "Só quem sabe" e deixem-se afundar no sofá até ao fim. Embora no meu caso não saiba bem quando termina o disco porque coloco em "repeat all"

O som: bom, muito bom mesmo, ainda por cima se pensarmos que foi gravado na “Garagem do Chico”. Ou dever-se-á sobretudo ao trabalho de masterização, nada menos que no Abbey Road Studios ?
Apenas uma nota menos positiva para a voz, em particular para a dicção arrastada, sublinhada pelo cantar em jeito de murmurio, o que constitui um teste à intelegibilidade das palavras, verdadeira prova de fogo para o sistema. Eu pelo menos, a primeira vez que ouvi este disco (num sistema que não o meu) não percebi a maior parte das palavras. Não fosse o controle que o Lyngdorf agora imprime às SF e certamente não poderia abdicar do livreto. Um desafio e um teste também para perceberem a valia da v/ amplificação. Digo eu !! Cool

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A sugestao que agora vos deixo deve ser vista como aqueles programas televisivos com “rodinha” no canto superior direito.

Não me responsabilizo se comprarem o disco e não gostarem mesmo nada, acharem esta musica o extremo da bizarria audiofila. Susto
Ainda assim, para quem não tenha medo de experimentar coisas novas aqui vai:

Mopdtk
The Coimbra Concert
http://www.cleanfeed-records.com/disco2.asp?intID=354

Comecemos pelo fim. A editora: Clean fedd. Os albuns desta editora, em formato digipack, trazem o revestimento habitual de celofane, mas com um autocolante contendo algumas frases de criticos de musica sobre o album. Num deles pode ler-se em inglês, numa tradução de memória, o seguinte: “que a ninguem surpreenda que uma das melhores editoras mundiais possa estar sediada em Lisboa”. E eu digo-vos: a perfeição em termos de gravação / mistura / prensagem existe? Não sei, mas acredito que anda lá muito perto. Julgo mesmo que todo o potencial do CD está aqui claramente espelhado. Um audiofilo não pode ficar indiferente a esta fantastica produção. Já por várias vezes dei por mim dividido entre a “perfeição” de algumas gravações actuais com as suas tecnicas de close micing, e a honestidade de algumas produções das epocas de sessenta e setenta, pela sua credibilidade e realismo de captação, seja em termos timbricos, seja em termos do espaço, do palco sonoro onde foi feita a captação e a inevitavel sensação de verosimilhança com musica ouvida ao vivo. Pois bem esta gravação, para mim e no meu sistema, acaba com toda a duvida e simplesmente arrasa. Nunca ouvi nada mais realista. Nunca a sensação de presença fisica dos instrumentos foi tão forte. Nunca. Shocked
No interior pode ler-se (e não é propaganda): In fact, every note and sound on this recording is a reference to some other recording or performance, real or imaginary. Enjoy! cyclops SEM TIRAR NEM POR. Digo eu!
Fundamental algum volume para conseguir essa escala de realismo. Mas atenção: cuidado com o volume ou podem causar zangas com a vizinhança ou mesmo no seio familiar. Este disco devia trazer um rotulo de advertencia com letras garrafais: Danger. Arrow

A musica: abstracta é uma boa classificação. Jazz moderno dizem os criticos. Fusão, confusão, Laughing whatever ! Voces perceberão no dia em que ouvirem este disco.
Uma coisa é certa: começa-se por gostar do som e desdenhar da musica. E no entanto sabem o que vos digo? Já nao passo sem ele. De vez em quando lá está a rodar. Estranho. Como se de vez em quando funcionasse como um disco de “limpeza” dos neuronios afectos à sensibilidade musical. Uma especie de reset acontece, uma formatação que predispoe novamente para a musica mais comum. Mas já absolutamente indispensavel por si mesmo.

Fiquem bem I love you

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Tiger Okoshi
Echoes of a note (XRCD Susto !!!!)

http://www.amazon.com/Echoes-Note-Tribute-Louis-Armstrong/dp/B000040OHI/ref=sr_1_3?s=music&ie=UTF8&qid=1332629869&sr=1-3

Japonês de origem, foi para os States em Lua de mel... e prontos, pelos vistos por lá ficou.
Não só ficou como absorveu a cultura norte americana, pelo menos no que à musica diz respeito, rapidamente tendo intuído que “só queria tocar jazz”.
Este é o meu primeiro contacto com este trompetista. E estou a gostar, pese embora a toada morna do album, sem grandes rasgos, pudesse ser algo maçadora não fosse a excelente gravação deste album em XRCD. A beleza de cada instrumento, ouvido perfeitamente individualizado dos demais, é algo que nos cativa do 1º ao ultimo minuto. Aliás, fico deliciado de cada vez que contacto com albuns XRCD. A diferença para um CD normal pode ser avassaladora. Experimentem ouvir o album “Give it up to Love” de Mighty Sam McClain, na versao normal e em XRCD. Quando ouvimos o tema 7, “I´m tired of these blues”, facilmente percebemos que todo o ataque, toda a força do tema se perde na versão “normal”. Em XRCD pode ser uma experiencia brutal, daquela que nos faz sentir bem connosco proprios e com a musica.

http://www.amazon.com/Give-It-Up-Love-XRCD/dp/B00004STMY/ref=sr_1_9?s=music&ie=UTF8&qid=1332628609&sr=1-9

Sinceramente, quando oiço em XRCD não me lembro nem de Vinil, nem de SACD´s, nem de downloads de alta resolução. Simplesmente porque não sinto falta de nada. Está lá tudo. Pena o preço !!!! Se gostam de jazz, e quiserem adquirir uma gravação de referencia para conhecer os limites do v/ sistema, este Echoes of a Note é uma aposta segura. Mas notem que um simples CD bem gravado como o que referi anteriormente da Clean Feed não fica nada atrás.

E no entanto, já tantos dao o CD como morto...
Eu recuso-me a ir ao funeral.
Suspect

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Nas gravações como no sistema.
Depois da busca se orientar pelo gosto, é agora o gosto que se adapata na demanda da neutralidade. Wink

Assim é tambem nas gravações. Apesar do caracter macio e da fluidez de algumas edições recentes ditas "audiofilas", há muito que tambem algumas gravações dos anos 50 / 60 me seduziram pela ausencia de artificialismos, traduzido numa tonalidade crua que por sua vez nos remete para uma maior verosimilhança com a musica dita “ao vivo”. No entanto a “datação” de algumas é obvia, seja seja pelas limitações de captação, seja tambem pela caracteristica da acentução da estereofonia que colocava uns instrumentos clara e unicamente em cada uma das colunas.
E uma gravação nua e crua sem qualquer limitação obvia?
Pois aqui vos deixo a minha nova referencia nessa materia

The Montreal Tapes
Charlie Haden, Don Cherry, ED Blackwell

http://www.discogs.com/Charlie-Haden-With-Don-Cherry-and-Ed-Blackwell-The-Montreal-Tapes-with-Don-Cherry-Ed-Blackwell/release/2412203

Nada a apontar a esta gravação. Poucas, muito poucas, conseguem ter esta clareza e este “esclarecimento” ao nível dos agudos, em simultaneo com uma reprodução tão correcta de graves, seja em tensão, seja em extensão.

Fabulosa. cheers

Quanto á musica, eu diria que tambem aqui, nomeadamente em materia de jazz, foi como passar do 1º cigarro para as “drogas duras”. drunken Laughing Depois de me iniciar no jazz pela mao dos “melodicos” Benny Carter, Sonny Rollins, Art Pepper etc, falta-me nesta fase alguma pacienca para musica “lamechas”, seja de que estilo for. Este disco não tem comparação com o "The Coimbra Concert" de que vos falei acima. Mas é um free jazz absolutamente genial, absolutamente cativante.

Não percam. Não percam mesmo!

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